sábado, 14 de junho de 2014

MINHA RIQUEZA



                                                FOTO DA NET.

Eu tenho o meu ranchinho
Os minino e a viola
Eu tenho as quatro lua
E a muié que me adora.

Eu tenho um fugão de lenha
E uma cama pa deitá
Um cubertô vermeio
E muito sonhu pa sonhá.

Eu tenho o meu banquinho
O meu pitu e o meu chapéu
Uma gamela véia
E um Jesuis no artu céu.

Tenho o dia... tenho a noiti
Ar puru pa rispirá
A canoa já furada
Um  açude preu pescá.

Eu tenho a passarada
O chão dondi prantá
Num priciso de mais nada
Deus muito já me dá!

Alcione Oliveira.

sábado, 31 de maio de 2014

PROFECIA

                                 FOTO DA NET.

                         
E A MININA NUS BRAÇU ELE PEGÔ
E FALÔ DIVAGÁ SEM VACILÁ:
ELA VAI SÊ MINHA MUIÉ
PASSE OS ANO QUE PASSÁ...

Na frô da sua idade
Meu amigo se casô
E pra sua felicidade
De treis  fia pai tornô.
A impregada Maria
Foi quem delas bem cuidô
Dispois das minina moça
Tamém Maria imprenhô.
Naceu dela uma minina
De pele arva e fina
Oinhu azú cumo o quê!
Eu cunhecedô   da  história
Arregistrei  na  memória
Vô contá ela pro cê.
Meu amigo pegô no colo
A minina que nacia
Falô oianu pra mãe
Vô casá cum tua fia...
Passe os ano que passá
Pur ela eu vô isperá
Vai sê minha ela um dia!
Cum o passá do tempo
Da muié divorciô
Ôtras nova parecêro
Cum elas amaziô.
E ansim ele foi ino
Cuma ô côtra siguino
Cum mais ninguém fixô..
Cumpretava sessenta e cinco
Condo argúem lhe cunvidô
Pra sê o seu padim
Num concurso , que ganhô.
Dispois da noite de festa
Foi cum beju que selô
O início do romance
Que ele profetizô
Dizoito ano passado
Quando no dia marcado
Ela no mundo  chegô!
Alcione.

terça-feira, 27 de maio de 2014

EU QUERO É VORTÁ PRA ROÇA...

                                       
                                                     TELA  DE EDGAR WALTER.

Na roça eu bebo cachaça
O leiti eu tenhu de graça
Parmitu tá no coquero.
Aqui eu num achu graça
O tempu pra mim num passa
 Num incontru bão violero.
Eu queru é vortá pra roça
Eu queru a minha carroça
O meu cavalu em pelo.
Queru o cheru da fumaça
As minha arma de caça
O fugão lá nu terrero.
Queru a butina rasgada
A camisa a traça furada
Meu chapéu de boiadero.
Queru os calo nas minha mão
Aligria nu coração
Tarefa o dia intero.
Queru a inxada e o machado
Prus canteru e os pau cortado
Eu podê diministrá.
Queru o meu cochão de paia
A minha véia navaia
E a mema muié preu amá!  

Alcione.


sábado, 24 de maio de 2014

A VILA DU MEU PASSADU...

                                            foto da net.

Fui antonti lá na vila
Que morei quandu minina
Matá as minha sodadi.
Mas tá tudu tão deferenti
Inté a casa da genti
Mudô de indentidadi...
Num é mais a casa do Zé
Virô hotér du Tomé
Cum picina di verdadi!
O açogui que nóis comprava
Tamém alí já num tava
Ninhum tijolu de pé...
O granfinu que comprô
O açogui adirrubô
E montô um tar "café"!
A vendinha du Divinu
Dondi nóis runia os primu
Pra bebê uns guaraná...
Sumiu cumu a fumaça
É restoranti de praça
Naquele memu lugá!
O marzém da Julieta
Que vindia in cardeneta
Agora é supmercadu dus bão...
Só entra neli genti rica
Pobri de fora é que fica
É nu chequi o nu cartão.
O disinfiliz que comprô
Do jeitu das europia amontô
Vi falá que é alemão!
A igreja num aderrubaro
Dexaru nu memu lugá
Mais mexero... aumentaro
Tem hora inté pra intrá!
Dobrei tininu a isquina
Nu carrerão de minina
Pra vê minha iscola incantada...
Carquei meu oiá foi num prédio
Cunhecí intão o tar "tédio"
Cás pestana alevantada!
O que dimais me apoquenta
Que os meu miolu isquenta
É sabê que eu vortei...
No lugá do meu passado
Vivinhu na menti guardado
E lá num mais me incontrei!
Alcione.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O VAZIO DA MINHA CASA

A casa era só aligria
Tinha sempre em cima da pia
As panela no iscorredô...
Tinha o cheru das cumida
Cum sabô de risu e vida
Cum temperu só de amô!
Tinha na sala a santinha
Que alumiava a casinha
Na luiz da sua oração...
Na paredi o retratu
Daquela que amei de fatu
Cás força do coração!
No quartu as cama arrumada
As ropa bem ajeitada
Ispindurada nus pregu...
A curtina custurada
Cumu a vida, alinhavada
Nus ano que a Deus eu intregu!
Às seis hora, hora santa
Antis de sirví a janta
Fazia a mema oração...
Agradicia a vida,
A mesa farta, a cumida
A bença da nossa união!
Nu quintar as rosa vermeia
As veiz cheia de abeia
Ou de barbuleta a infeitá...
Ela da janela oiano
De aligria os óio pursano
De tanta beleza inxergá!
Que sodadi eu tenho de tudo
Do meu piquititu mundu
Dondi eu vivia contenti..
Sodadi da muié amada  
Sodadi das nossa risada
Sodadi du amô da genti!
Choru agora as lembrança
Inté de amarrá suas trança
Dispois de um cafuné...
Só recordação hoje ixisti
Deus do céu cumu é tristi
A casa sem a minha muié!


terça-feira, 18 de junho de 2013

ALIGRIA NUM TEM PREÇO



Arriei o meu cavalo
Saí a galupiá
Lá pras banda de Cristália
É adondi eu fui pará.
Sobe morro e faiz curva
Ranca a puera do chão
Sem curva e sem puera
Galupiava meu coração!
Prantada no arto da serra
De chão batido de terra
Casinha branca eu vi.
O dono dela, o João
Cabocro bão do sertão
Alí foi que cunhicí.
Do lado da casa uma hortinha
De verdura bem fresquinha
Que inté serve pra infeitá
Inchê de beleza as vista
De quem se achega pur lá.
João de pele crestada
Bem na porta da intrada
Veio me recebê
Pegô na minha mão e disse
Deus bençõe vancê!
Vi num canto o machado
As madera lá do lado
Trabaiada no facão
Me amostrô o carro de boi
As traia... as vara de ferrão...
Mostrô as cangaia, os canzil
Amostrô tomém os cambão.
O carro bem arrumado
Passô nele óio queimado
Vi os côro turcido cás mão
Mi contô o que ele feiz
Da boiada antiga disfeiz
Purque era misturada
Pra formá uma junta nova
Uma junta apariada
Só de boi vermeio agora
Pra no dia da procissão
Carregá Nossa Sinhora!
Entremo lá na cuzinha
De janela azurzinha
E eu fui logo inxergá
A cabaça infeitada
De cipó ornamentada
Cum água pra se tomá.
O café quenti na mesa
Pra mim ele feiz supresa
Uma moda foi cantá.
Pegô intão a viola
Me amostrô cumo ela chora
E ri, nas suas mão.
Cantô cumo se fosse pru mundo
Cantô cum o coração!
Saí de lá tão filiz
Que inté uma promessa eu fiz
De brevimenti vortá.
Cheguei lá na portera
Ainda virei pra oiá
Ele parado na porta
Cum a mão a me acená
Fica cum Deus, meu amigo
É o que fui lhe falá
Aqui Ele fica, cum vancê Ele vai
Fica junto de nóis tudo
Nosso Deus e nosso Pai!
Vortei inrricado de aligria
Abençuado foi o meu dia
E cuessa história pra contá.
Se ocê num acriditá
Um dia passa pur lá
E o João manda chamá!

FULIA DE REIS



              
                                    
É  do sítio de Sá Maria
Que todo ano a fulia
Sai de lá a cantá...         
Ela sai pelas istrada
E ali na porta da casa
Já cumeça a tocá.
O Bastião vai bem na frenti
Dançano pra toda a gente
Que os Santo Reis vem incontrá.
Ele é o mascarado
Que corre pra todo o lado
E cum todos vai brincá.
Ele leva aligria
Por dondi passa a fulia
Cantano  versos  da  Bíbria
Ricitano puisia
Sem pará de dançá!
A bandera segui irguida
De buniteza é sirvida
Cor e fror a lhe infeitá.
Cada casa do caminho
Recebe cum carinho
Os fulião que ali chegá.
Adispois da permissão dada
Pelos dono daquela casa
A bandera  póde intrá.
Cumeça intão a sanfona
Os tambor e as viola
De arguma forma chorá.
Acumpanha a rebeca,
 e tamém o réco- réco
Pras fala deis musicá.
A dona da casa sigura
A bandera cum ternura
Que pra dento vai levá.
Passa ela em cada canto
Dos cômudo pra abençuá.
Adispois lá vem de vorta
Fica difrenti pra porta
Pru gardecimento iscutá.
A fulia se adispedi
Pra nôtro anu vortá!
Sai o povo pru terrero
Pra sê mais um cumpanhero
Pra fulia acumpanhá.
E ansim de casa em casa
Muito mais gente ajuntá!
É de cedo que cumeça
E quem vai cumprí promessa
Chama o povo pra armuçá.
Adispois a tarde intera
Cuntinua a caminhá.
A hora mais isperada
De que gosta a mininada
É a hora de chegá!
A úrtima casa  recebe
A bandera pra ficá.
É ali que os Santo intão
Passa a noite a discansá.
Quando  a fulia aponta
Aquela gente já pronta
Fugueti cumeça a sortá.
É tanta luis lá no céu
Que as núve inté puxa os véu
E os anjo ajuda a cantá!
Um terço intão é rezado
Os Santo na hora é sardado
Cum VIVA e devoção.
Cá reza incerra a fulia
Que acabô  a canturia
Cumprino a sua missão!
Antão a hora é de festa
E pro povo o que resta
É cumê muito e dançá...
O festero, na parada
Grita VIVA pra moçada
Santo Reis veio  pra  ficá!
E cum muita aligria
Rastapé vai cumeçá.
Adispois só no ôtro ano
Pra Bandera aqui vortá!