sábado, 21 de maio de 2016

BRIGADU DOTOR



                                                   FOTO DA NET.


DOTOR, sinhor me adiscurpe
De tantu lhe apurrinhá
Mais é que eu percisava
Meu coração acarmá.
As faia que ele dava
Deloridas quar o quê
Disajeitosa eu ficava
Sem tê cumu intendê.
Ansim cumu os risquin
Do inzame lhe mostrô
No paper os pedacin
Das batida que faiô...
É cumo um eito de gente
Numa fila pa nadá
Se um pulá in antis da hora
Vai os zoto atrapaiá.
Adispois pa corrigí
Um tempim tem que se dá
Pru que vem dispois na fila
Intão já podê pulá.
Intindí bem direitin
E os remédio eu vô tomá
Prus risquin nos quadradin
Sem defeito se formá!




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A ORQUÍDIA E O SEUS MISTÉRIO





Agora  eu vim cá
Pa  das  orquidia falá...
Fico ansim disajeitosa
Pois essas frô tão formosa
Eu só sei é dimirá!
Num intendo nada não
Só dexo no meu coração
Elas disabrochá.
Sinto tanta emoção
memu quando um só butão
Infeita o meu oiá!
As grandona, que beleza
Pras vista a maió riqueza
Que arguém póde inxerga!
As pititinha me faiz
Em Deus eu ainda mais crê
Tudo o que tem nas grandona
Nas pititinha se vê.
E o chero que inzala
Maió do que elas , ele é
Perfuma intera uma sala
Uma frozinha carqué.
As cor delas me arrepeia
Sinto os zóio  furmigá
Êta tela tão bunita
Que o Criadô pôde pintá!
Elas tem os seus mistério
Argo inté muito de sério
Que me põe a matutá...
Oiano prélas a gente
Sente argu deferenti
Num sei nem cumo ispricá...
Ferveia nas veia o sangue
E num carece de inzame
Pa podê detectá
Que a paxão já tomô conta
Que um sintimento adisponta
Que a orquidia insina a AMÁ!!! 

Alcione.


terça-feira, 29 de julho de 2014

CARTINHA A NOEL...







Eu pidí pru meu padin
Cunversá co bão vein
Prêli de mim se alembrá
Pensá ni mim só um cadin
Iscuitá meu recadin
Quêle vai ino levá...
Papai Nuel iscuitava
Condu meu papai levava
Os pididin queu fazia
Num me dava o queu quiria
Mais papai nunca vortava
Cás mão abanano vazia.
Fico aqui rezano agora
Pra Nuel e Nossa Sinhora
Realizá o sonho meu
O único presente que eu quero
Dispertá do sono eterno
O meu pai que já morreu!.

Alcione.


quarta-feira, 9 de julho de 2014

RECORDAÇÃO


















Uma baita duma sodadi
Anuviô o meu coração
Quando o tempo sem piedade
Disgarrô das minha mão.

Marvada, marvada sodadi
Tem cremença, um cadin de dó
De arguém que amô de verdadi
E hoje é lembrança só!

Na paredi discascada
Tá o véio chapéu discansano
Das andança por tantas istrada
Guardano a puera dos ano.

O porta- retratu tombado
Carcumidu de cupim
Tem a foto do passado
Que insiste oiá pra mim...

O relójo de borso,  "dorado"
Ingastaiado numa corrente
Tem nele o nome gravado
Que eu tenho gravado na mente.

Os longui prei e a vitrola
Que tocô tanta canção
Calado, durmino agora
Na caxa preta no chão.

Os livro antigo impiado
Na partilera tão fria
Me faiz sonhá acordado
Na sala hoje vazia.

Duma vida as recordação
Em quato paredi trancada
O que foi um dia emoção
Hoje é sodadi... mais nada!

Alcione.

sábado, 14 de junho de 2014

MINHA RIQUEZA



                                                FOTO DA NET.

Eu tenho o meu ranchinho
Os minino e a viola
Eu tenho as quatro lua
E a muié que me adora.

Eu tenho um fugão de lenha
E uma cama pa deitá
Um cubertô vermeio
E muito sonhu pa sonhá.

Eu tenho o meu banquinho
O meu pitu e o meu chapéu
Uma gamela véia
E um Jesuis no artu céu.

Tenho o dia... tenho a noiti
Ar puru pa rispirá
A canoa já furada
Um  açude preu pescá.

Eu tenho a passarada
O chão dondi prantá
Num priciso de mais nada
Deus muito já me dá!

Alcione Oliveira.

sábado, 31 de maio de 2014

PROFECIA

                                 FOTO DA NET.

                         
E A MININA NUS BRAÇU ELE PEGÔ
E FALÔ DIVAGÁ SEM VACILÁ:
ELA VAI SÊ MINHA MUIÉ
PASSE OS ANO QUE PASSÁ...

Na frô da sua idade
Meu amigo se casô
E pra sua felicidade
De treis  fia pai tornô.
A impregada Maria
Foi quem delas bem cuidô
Dispois das minina moça
Tamém Maria imprenhô.
Naceu dela uma minina
De pele arva e fina
Oinhu azú cumo o quê!
Eu cunhecedô   da  história
Arregistrei  na  memória
Vô contá ela pro cê.
Meu amigo pegô no colo
A minina que nacia
Falô oianu pra mãe
Vô casá cum tua fia...
Passe os ano que passá
Pur ela eu vô isperá
Vai sê minha ela um dia!
Cum o passá do tempo
Da muié divorciô
Ôtras nova parecêro
Cum elas amaziô.
E ansim ele foi ino
Cuma ô côtra siguino
Cum mais ninguém fixô..
Cumpretava sessenta e cinco
Condo argúem lhe cunvidô
Pra sê o seu padim
Num concurso , que ganhô.
Dispois da noite de festa
Foi cum beju que selô
O início do romance
Que ele profetizô
Dizoito ano passado
Quando no dia marcado
Ela no mundo  chegô!
Alcione.

terça-feira, 27 de maio de 2014

EU QUERO É VORTÁ PRA ROÇA...

                                       
                                                     TELA  DE EDGAR WALTER.

Na roça eu bebo cachaça
O leiti eu tenhu de graça
Parmitu tá no coquero.
Aqui eu num achu graça
O tempu pra mim num passa
 Num incontru bão violero.
Eu queru é vortá pra roça
Eu queru a minha carroça
O meu cavalu em pelo.
Queru o cheru da fumaça
As minha arma de caça
O fugão lá nu terrero.
Queru a butina rasgada
A camisa a traça furada
Meu chapéu de boiadero.
Queru os calo nas minha mão
Aligria nu coração
Tarefa o dia intero.
Queru a inxada e o machado
Prus canteru e os pau cortado
Eu podê diministrá.
Queru o meu cochão de paia
A minha véia navaia
E a mema muié preu amá!  

Alcione.